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DOR MUSCULAR TARDIA = ÁCIDO LÁTICO?

Depois de muito sermos questionados sobre o assunto resolvermos nos posicionar a respeito.

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Muitas pessoas atribuem a dor que sentimos nos dias seguintes ao treino o excesso de ácido lático acumulado na musculatura. Logicamente, os leigos não têm obrigação nenhuma de saber disso, entretanto e infelizmente muitos colegas defendem essa linha, e ainda completam dizendo que o exercício aeróbico vai “remover” o ácido lático e por isso você deve realizá-lo quando se está com muita dor.

É excelente a intenção de se realizar aeróbico de baixa intensidade no dia seguinte, mas não para remover o ácido lático e sim para acelerar o processo inflamatório da musculatura com o aumento da freqüência cardíaca e perfusão sanguínea nos tecidos lesionados com o treino.

Na verdade o ácido lático sai bem rápido da musculatura. Segundo McArdle, Katch & Katch (2003), o tempo máximo de permanência do ácido lático no tecido muscular é de aproximadamente 7 minutos. Isso explica em parte porque quando se realiza um exercício anaeróbico e de alta intensidade, como a musculação, ao se passar uns 10 minutos após o término do treino perde-se aquela sensação de inchaço e congestionamento local, o famoso “pump”.

O ácido lático, juntamente (e principalmente) com o ácido pirúvico, causa em parte aquela sensação de queimação e ardência local. A dor que você sente no exato momento da série, e principalmente quando realiza altas repetições (máximas), é oriunda da acidose local (ácidos lático e pirúvico) que “irritam” os axônios aferentes e as paredes celulares.

Já a dor que você sente nos dias posteriores ao treinamento reflete o estado atual da musculatura, que está rompida. Com o treino as fibras sofreram microrupturas nas membranas celulares, na fáscia, nos filamentos contráteis. E o processo inflamatório está instalado, o que caracteriza a dor tardia.

Então não acredite quando lhe disserem que a sua dor nas coxas 2 dias depois do treino de perna é ácido lático. Na verdade é a musculatura lesionada com microrupturas.

Fiquem ligados (as), sempre curiosos, treinem buscando o limite de dor, e RUMO AO SINISTRO!